sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Em defesa da Soberania Nacional


Por Lais Amaral
Inimigos da Nação, querem mais uma vez, enfraquecer nossas instituições para favorecer interesses do capital transnacional. E a Velha Mídia Comercial é o braço forte desses interesses. Já vimos esse filme. O mocinho (o povo brasileiro) morre no final. É preciso estar atento.   

No dia 25 de fevereiro, quarta-feira, reuniu-se formalmente, pela primeira vez, a Aliança pelo Brasil em Defesa da Soberania Nacional. A reunião acontecerá às 17h, no 25º andar do Clube de Engenharia, à Av. Rio Branco, 124. Promovido pela presidência do Clube de Engenharia, o evento contará com a participação de representantes da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET); Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (IBEP); Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro/RJ); Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea/RJ); Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ); Centro Celso Furtado; Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ); Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). Na ocasião foi apresentado o MANIFESTO que divulgamos abaixo: 

EM DEFESA DA SOBERANIA NACIONAL

A Nação se defronta com um dos maiores desafios de sua história abalada que está por forças internas e externas que ameaçam os próprios alicerces de sua independência e de sua soberania. As investigações policiais em torno de ilícitos praticados contra a Petrobras por ex-funcionários corruptos e venais estão dando pretexto a ataques contra a própria empresa no sentido de transformá-la de vítima em culpada, assim como de fragilizá-la com o propósito evidente de torná-la uma presa fácil para a fragmentação e a desnacionalização.
A Petrobras é a espinha dorsal do desenvolvimento brasileiro. A cadeia produtiva e comercial do petróleo e do setor naval, por ela liderada, representa mais de 10% do produto interno bruto, constituindo a principal âncora da indústria de bens de capital. É uma criadora e difusora de tecnologia, de investimentos e de produtividade que beneficiam toda a economia brasileira. Foi graças aos esforços tecnológicos da Petrobras que se descobriram, em 2006, as reservas do pré-sal, e é ainda graças a sua tecnologia original de produção que o Brasil já retira do pré-sal, em tempo recorde, cerca de 700 mil barris diários de petróleo, que brevemente alcançarão mais de 2 milhões, assegurando autossuficiência e a exportação de excedentes.
Deve-se à Petrobras a existência de uma cadeia produtiva anterior e superior do petróleo e da indústria naval, induzindo o desenvolvimento tecnológico da empresa privada brasileira, gerando emprego e renda que, no caso de empresas nacionais, significa resultados que aqui mesmo são investidos, desdobrando-se em outros ciclos de produção e consumo na economia.
Tudo isso está em risco. E é para enfrentar esse risco que o movimento social e político que estamos organizando conclama uma mobilização nacional em favor da Petrobras, instando o Governo da República a colocar todos os instrumentos de poder do Estado em sua defesa, de forma a mantê-la íntegra, forte e apta a continuar desempenhando o seu papel de líder do desenvolvimento nacional e a enfrentar, por outro lado, o desafio do seu enfraquecimento planejado por forças desnacionalizantes e privatistas internas e externas.
Ao lado da defesa da Petrobras vemos o imperativo de proteger a Engenharia Nacional, neste momento também ameaçada de fragmentação e de liquidação frente ao risco de uma desigual concorrência externa. Repelimos com veemência eventuais atos de corrupção ocorridos na relação entre empresas de engenharia fornecedoras da Petrobras, e seremos os primeiros a apoiar punições para os culpados, mas somos contra a imputação de culpa sem provas, e a extensão de culpa pessoal a pessoas jurídicas que constituem, também elas, centro de geração de centenas de milhares de empregos, de criação de tecnologia nacional e de amplas cadeias produtivas, e de exportação de serviços com reflexos positivos na balança comercial.
Todos que acompanham negociações internacionais conhecem as pressões que recaem sobre o Brasil e outros países em desenvolvimento no sentido de abertura de seu mercado de construção pesada a empresas estrangeiras. Somos inteiramente contrários a isso, em defesa do emprego, da renda e do equilíbrio do balanço de pagamentos. Se há irregularidade na relação entre as empresas de construção e a autoridade pública que sejam sanadas e evitadas. Mas a defesa da Engenharia Brasileira implica a preservação da empresa brasileira à margem de qualquer pretexto.
Não é coincidência os ataques à Petrobras, ao modelo de partilha da produção que a coloca   como operadora única do pré-sal, à política de conteúdo local, à aplicação exclusivamente na educação e na saúde públicas dos recursos do pré-sal legalmente destinados a esses setores,   à Engenharia Brasileira como braço executivo de grande parte de seus investimentos, e também ao BNDES, seu principal financiador interno, que tentam fragilizar rompendo sua relação com linhas de financiamento do Tesouro: tudo isso faz parte não propriamente de ataques ao governo mas de uma mesma agenda de desestruturação e privatização do Estado em sua função de proteger a economia nacional.
É nesses tópicos mutuamente integrados que concentramos a proposta de mobilização nacional que estamos subscrevendo, e que está aberta à subscrição de outras entidades e de todos os brasileiros que se preocupam com o destino de nossa economia e de nosso país. Estamos conscientes de que o êxito dessa mobilização dependerá da participação do maior número possível de entidades da sociedade civil, de partidos políticos e das cidadãs e cidadãos individualmente. E é da reunião de todos que resultará a afirmação da Aliança pelo Brasil em defesa da Petrobras, do Estado social-desenvolvimentista e de um destino nacional de prosperidade.
ALIANÇA PELO BRASIL
aliancapelobrasil@gmail.com

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Hiroshima e Nagasaki - Os japoneses perdoam mas a humanidade não deve esquecer jamais

       




A Luz dos mil sóis -            Youtube.co



        Nesses dias 6 e 9 de agosto de 1945, há 69 anos, portanto, as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, respectivamente, foram vitimas da mais horrenda manifestação da estupidez e insanidade humana: as bombas atômicas lançadas por um avião americano, com a “justificativa” de que daquela forma, os japoneses se renderiam e abandonariam a guerra. 


         Na ocasião, 85% da população de Hiroshima eram civis.  Um genocídio que se repetiria três dias depois, em Nagasaki. Nas duas cidades, mais de 200 mil mortos de imediato. E tragédias no desdobramento da radioatividade com consequências por décadas. 


       Três dias depois de todo aquele horror, o presidente americano Harry Truman diria: “Agradecemos a Deus por ter posto a bomba em nossas mãos e não nas mãos dos nossos inimigos; e rogamos a Deus que nos guie em seu uso, de acordo com seus caminhos e seus propósitos”. 


        Hoje, quando assistimos o atual presidente americano, Barack Obama autorizar o envio de armas a Israel, contribuindo para a intensificação do massacre na Faixa de gaza, enquanto o mundo todo pede pelo fim do inferno contra civis palestinos, talvez estejamos diante do mesmo fio condutor de uma genética belicista e prepotente. 


        No link a seguir o documentário “Hiroshima, o dia Seguinte”, produzido pela National Geografic, com duração de 40 minutos.  (https://www.youtube.com/watch?v=SnCA88A4uBU). 


        Vale assistir, e perceber que além da toda a bestialidade, ainda houve oportunidade para que milhares de seres humanos fossem tratados como cobaias de uma experiência injustificada. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O discurso de Lula no Encontro dos Blogueiros



Por Lais Amaral

        Veja no link abaixo o discurso do ex-Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva na abertura do 4º Encontro de Blogueir@as e Ativistas Digitais, na sexta-feira da semana passada, dia 16 de maio, em São Paulo. 

       Lula falou por aproximadamente uma hora sobre muitos assuntos mas a manchete do dia seguinte do jornal Folha de São Paulo foi uma frase sobre obras da Copa, pinçada fora do contexto. Pura leviandade e sensacionalismo do diários dos Frias, valoroso representante do 'PIG'. 


terça-feira, 20 de maio de 2014

Lula brilha no 4º Encontro de Blogueiros

Lula, foi a grande atração da abertura do 4º BlogProg. Incendiou o plenário




Por Lais Amaral

O 4º Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais realizado no último final de semana (dias 16, 17 e 18) em São Paulo - na minha opinião  o melhor até agora, bateu o recorde de participantes, com 399 ativistas  procedentes de 24 estados (outro recorde).

Realizado no Hotel Braston, centro da cidade, foi chancelado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, pela Altercom e pelo Movimento dos Sem-Mídia. Patrocinado pela Prefeitura de São Paulo, pela Petrobras e pela Caixa econômica Federal.  

           Participei dos demais encontros, inclusive do primeiro mundial, em Foz do Iguaçu em outubro de 2011, do qual compareceram representantes de 23 países e 17 estados. E que foi excepcional. Como os demais tiveram grande importância.

       Considerei este o melhor dos encontros por algumas nítidas razões. Uma delas a presença, é claro, do ex-Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, mas não apenas pela presença, que não foi um fato inédito. Lula esteve no 2º encontro, em Brasília (2011).

Mas pelo Lula remoçado, motivado, ‘pintado para a guerra’, como nos bons tempos das campanhas vitoriosas ao Planalto. Sua palestra energizou o plenário.

Foi o melhor encontro também pela significativa presença de jovens, oxigenando o movimento. Destacando a participação do pessoal do “Fora do Eixo”, na figura de uma das principais lideranças, Pablo Capilé.  

E foi o melhor encontro por ter sublinhado “bandeiras” fundamentais como o marco regulatório das comunicações, pauta das mais emblemáticas da blogosfera, pelo engajamento pelo plebiscito das reformas políticas, pela presença do MST em uma das mesas e até por poder festejar, como partícipe, a vitória da aprovação do marco regulatório da Internet. 

No próximo post sobre o 4º BlogProg: 

Lula entra em campo, Capilé clareia as coisas, Obama persegue whistle blowers, Stédile cospe fogo.    


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Alimentação: a Tecnologia Mórbida

Por:   Lais Amaral


O artigo que reproduzimos abaixo, foi publicado recentemente no blog Carta Maior. Ele é assinado por Najar Tubino e revela mais alguns monstros que rondam por nosso dia a dia. Leiam: 
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Porto Alegre - A indústria da alimentação deverá faturar em 2014 US$5,9 trilhões, segundo estimativa da agência britânica dedicada à pesquisa sobre consumo e marcas – The Future Laboratory. O mercado global de snacks (bolinhos, biscoitos, salgadinhos) deverá movimentar US$334 bilhões. 

As vendas de chocolates e confeitos vão faturar US$170 bilhões. O Brasil consumiu em 2012, 11,3 bilhões de litros de coca-cola, empresa que faturou US$48,02 bilhões, e lucrou US$ 9bilhões. Na pesquisa do IBGE comparando 2002-2003 com 2008-2009, o consumo anual de arroz das famílias caiu 40,5% - de 24,5kg para 14,6kg- e o de feijão caiu 26,4% - de 12,4 para 9,1kg. Os refrigerantes do tipo cola cresceram 39,3% de 9,l litros para 12,7 litros.

No Brasil, 48,5% da população está acima do peso, são 94 milhões de pessoas. Entre as crianças de 5 a 9 anos o aumento da obesidade multiplicou por quatro nos meninos (de 4,1% para 16,6%) e por cinco entra as meninas – de 2,4% para 11,8%. Uma em cada 10 crianças abaixo dos seis anos já apresenta sobrepeso. 

Nos Estados Unidos 35,7% da população, ou seja, mais de 135 milhões de pessoas são obesas, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) – 17% são jovens. No mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde o número já atinge 1,5 bilhão de pessoas. Na China, o índice de obesidade duplicou nos últimos 15 anos, na Índia subiu 20%. No Brasil, segundo um estudo da Universidade de Brasília, o SUS paga R$488 milhões por ano para tratar doenças ligadas ao aumento do peso.
Moderno doentio

As causas citadas para explicar esta tragédia humana estão associadas à mudança tecnológica, ao estilo de vida das metrópoles, aos hábitos sedentários, a questão prática da vida atual, não deixa tempo para cozinhar, comer em casa, entre outras tantas. É óbvio que a alimentação está no centro desse problema, que há muito tempo deixou de ter uma abordagem cultural, e precisa ser encarado como uma mudança social, política e econômica. 

Henry Kissinger, figura famosa na política mundial, dizia que quem domina a comida domina as pessoas. Não incluíram no pacote as doenças crônicas resultantes do tipo de comida difundida pelo mundo como algo “moderno”, como o hambúrguer e o refrigerante cola – diabetes em adultos, cardiovasculares, câncer e hipertensão, apenas para citar as campeãs nas estatísticas. 

A OMS informa que 2,8 milhões de pessoas morrem em consequências de doenças associadas ao sobrepeso. E outras 2,2 milhões morrem por intoxicações alimentares, resultante de contaminações de vírus, bactérias, micro-organismos patogênicos e resíduos químicos.

Neste capítulo específico a história é longa. Um dossiê da Autoridade de Segurança Alimentar e Econômica, de Portugal, usando os dados da União Europeia, contabiliza 100 mil compostos químicos usados correntemente no mundo. Na União Europeia eles registram 30 mil, produzidos a uma média de uma tonelada por ano, sendo que a metade tem potenciais efeitos adversos à saúde.

“- Poucos foram estudados em profundidade suficiente de modo a permitir as estimativas de riscos potenciais de exposição, sobretudo aos seus efeitos de longo prazo, quanto à toxicidade ao nível da reprodução ou do sistema imunológico ou ação carcinogênica”.

A contaminação pode ocorrer no solo, durante o plantio, no tratamento da planta, depois na colheita e armazenagem, também dos processos industriais, da queima de substâncias que se transformam e pela incorporação de contaminantes e aditivos em alimentos:

“- A prevalência de doenças ou a morte prematura causada por químicos presentes nos alimentos é difícil de demonstrar, devido ao período de tempo, geralmente longo, que decorre entre a exposição a estes agentes e o aparecimento dos efeitos”, registra o documento .

Mentira consistente
O problema é que a comida moderna, saborosa, suculenta, cheirosa vendida pela publicidade no mundo inteiro é uma mentira. Todos os aspectos citados, incluindo ainda a cor, o tempo de vida na prateleira, a viscosidade, o brilho, o sabor adocicado, ou então o salgadinho bem sequinho, todos são resultado da aplicação de uma lista quase interminável de aditivos químicos. 

Inclusive registrada internacionalmente por códigos numerados e divulgada pelo Codex Alimentarius, da ONU. Por exemplo, o conservante nitrito de sódio é o E-250 e o adoçante artificial acessulfamo-K é o E-950.

Antes de avançar no assunto, um alerta da ONU sobre o uso de componentes químicos na vida moderna:

“- O sistema endócrino regula a liberação de certos hormônios que são essenciais para as funções como crescimento, metabolismo e desenvolvimento. Os CDAs, desreguladores endócrinos, podem alterar essas funções aumentando o risco de efeitos advesos à saúde. Os CDAs podem entrar no meio ambiente através de descargas industriais e urbanas, escoamento agrícola e da queima e liberação de resíduos.Alguns CDAs ocorrem naturalmente, enquanto as variedades sintéticas podem ser encontradas em agrotóxicos, produtos eletrônicos, produtos de higiene pessoal e cosméticos. Eles também podem ser encontrados como aditivos ou contaminantes em alimentos”.

O alerta das Nações Unidas é no sentido de realizar “urgentemente” novas pesquisas para avaliar o impacto dos também chamados disruptores endócrinos. Ocorre que alguns químicos sintéticos espalhados mundialmente têm uma estrutura molecular parecida com os hormônios naturais, como o estrógeno e a testosterona. 

Os hormônios funcionam como mensageiros da herança genética, e os químicos interferem nesse processo, alterando o conteúdo da mensagem. Em 1996, um grupo de pesquisadores norte-americanos – Theo Colborn, Diane Dumanoski e John Peterson Myers – lançaram o livro “O Futuro Roubado”, tratando dessa temática, com um apêndice na edição brasileira de José Lutzenberger. No Brasil o livro foi lançado em 2002. Urgência 17 anos depois.

Prático e barato
O problema é que a indústria se interessa por custo/benefício. Os aditivos dão consistência aos alimentos, não deixam a mostarda e a maionese virar uma gororoba, a carne e os produtos curados, como salsichas, mortadela, salames, perderam a cor vermelho-rosada. 

Os sorvetes não ficam com espuma, as sopas e caldos tem um cheiro maravilhoso. Fiquei enjoado de tanto ler sobre aditivos químicos nos últimos tempos. O mais impressionante, dos mais de 40 trabalhos que repassei, é a declaração da supervisora de marketing, da Química Anastácio (SP), para a revista Química e Derivados:

“- O nitrito de sódio é o principal aditivo usado em produtos cárneos, é o agente conservante de todos os produtos curados, promove a coloração vermelho-rosada nas curas e nos crus e o róseo avermelhado nos cozidos, além do sabor característico. Realmente esses produtos são considerados carcinogênicos, porém os grandes frigoríficos os utilizam pelo fato de não ter substituto no mercado. Mas devem ser usados com responsabilidade, respeitando os limites máximos de 0,015g por 100g e 0,03g por 100g, nos casos do nitrito e nitrato de sódio”, disse Alessandra Fernandes Guera.

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (PROTESTE) tem trabalhos que mostram a capacidade dos nitritos e nitratos de sódio de reagir com certas substâncias presentes nos alimentos, que são as aminas, e se transformam em nitrosaminas, potencialmente cancerígenas.

Danos cerebrais
Uma pesquisa de Sandrine Estella Peeters, da COPPE-UFRJ aborda o tema de como os aditivos químicos afetam a saúde. Hiperatividade em crianças, citado como consequência de corantes em alimentos, além de dor de cabeça crônica. Urticária, erupção da pele, câncer em animais, além de riscos de longo prazo de causar danos cerebrais. Este é o caso do glutamato de sódio, muito conhecido nos temperos, mas é utilizado em mais de cinco mil produtos.

Considerado como um agente capaz de produzir efeito neurotóxico. Em outra pesquisa, da Universidade Cândido Mendes, Roseane Menezes Debatin, tese de mestrado, comenta o seguinte sobre o glutamato de sódio:

“– É um sal composto de uma molécula de ácido glutâmico ligada ao sódio. Tem um sabor adocicado, é um grande estimulante do paladar, suprimindo os gostos desagradáveis, levando a uma maior consumo de produtos industrializados. Usado em caldos, biscoitos, snacks, miojos, batata frita. 
O ácido glutâmico está envolvido na ativação de uma série de sistemas cerebrais, concernentes à percepção sensorial, memória, habilidade motora e orientação no tempo e espaço. Existem vários trabalhos científicos comprovando a neurotoxicidade do glutamato, principalmente na região do hipotálamo e no sistema ventricular”.

Nos Estados Unidos, o glutamato foi retirado dos alimentos infantis em 1969. A Ajinomoto maior indústria do ramo- 107 fábricas em 23 países - que comercializa o produto informa que o consumo no mundo cresce 5% anualmente.

Lista interminável
Os antioxidantes, usados na conservação, interferem no metabolismo, produzem aumento de cálculos renais, ação tóxica sobre o fígado e reações alérgicas, conforme a pesquisa da COPPE. Os conservantes, como o ácido benzoico, um dos mais usados, produzem irritação da mucosa digestiva, outros produzem irritações nas células que revestem a bexiga, podendo atuar na formação de tumores vesicais. 

As gorduras hidrogenadas provocam o risco de doenças cardiovasculares e obesidades. E os adoçantes artificiais, substitutos do açúcar, estão relacionados com a diabete, obesidade e o aumento de triglicerídeos (gordura na corrente sanguínea). Sobre os adoçantes, o professor e doutor em ciência de alimentos da Unicamp, Edson Creddio, comenta o seguinte:

“- Os adoçantes são medicamentos que devem ser usados por pessoas com diabetes e hipoglicemia e não por todas as pessoas, inclusive crianças, como se fossem totalmente isentos de risco. Esta substância é vista pelo público leigo como panaceia passada pela mídia com a imagem que levará o usuário a ter um corpo perfeito”.

Os adoçantes artificiais mais usados são a sacarina, que é 500 vezes mais potente que o açúcar, o aspartame, como diz o professor, que é 150 a 200 vezes mais doce, além do ciclamato e o acessulfamo-k, também muito mais doce que o açúcar. Estão presentes nos refrigerantes, bebidas isotônicas, sucos preparados, e demais industrializados.

Sódio em demasia
Fiz uma relação com 14 grupos de aditivos mais usados nos alimentos consumidos atualmente. Os conservantes aumentam o prazo de validade, os estabilizantes mantêm as emulsões homogêneas vamos dizer, os corantes acentuam e intensificam a cor natural para melhorar a aparência e fazer o consumidor acreditar que está levando algo novíssimo. 

Os antioxidantes evitam a decomposição, os espessantes dão consistência ao alimento e os emulsificantes aumentam a viscosidade do produto. Os agentes quelantes protegem os alimentos de muitas reações enzimáticas e os flavorizantes tem o papel de realçar o odor e o sabor dos alimentos. Já os edulcorantes são usados em substituição ao açúcar e os acidulantes utilizados para acentuar o sabor azedinho do alimento. 

Os humectantes mantêm a umidade e a maciez, os clarificantes retiram a turbidez, os agentes de brilho mantém a aparência brilhante e os polifosfatos são usados para reter a água, no caso dos congelados, como o frango e nos produtos curados.

No Brasil, a ANVISA desde 2011 negocia com a indústria de alimentos para diminuir a quantidade de sódio dos alimentos industrializados. Não há nem meta nem prazo para chegar a um nível aceitável. Numa pesquisa realizada em 2011, com 496 produtos das regiões nordeste, sudeste e sul foram encontradas entre produtos de diferentes empresas quantidades 10 vezes maiores nos queijos tipo minas frescal, parmesão e ricota. 

No entanto, as menores diferenças na quantidade usada de sódio entre os mesmos produtos de diferentes empresas chegaram a 40% no caso das mortadelas, macarrão instantâneo e bebidas lácteas. O teor de sódio mais elevado foi registrado no queijo parmesão inteiro e ralado, macarrão instantâneo, mortadela, maionese e biscoito de polvilho.

Informa a ANVISA: o sódio é um constituinte do sal, equivalente a 40% da sua composição, sendo um nutriente de preocupação para a saúde pública, que está diretamente relacionado ao desenvolvimento de doenças como hipertensão, cardiovasculares e renais. Na tabela de informação nutricional dos alimentos, que deve estar no rótulo, consta a quantidade de sódio. 

Para ser isento não pode ter mais de 5mg por 100g de alimento. Se tiver 40mg na mesma proporção é muito baixo e 120mg é considerado baixo. Na pesquisa da ANVISA o teor médio de sódio do macarrão instantâneo foi de 1.798mg por 100g, da mortadela foi de 1.303mg por 100g e o da maionese 1.096mg por 100g.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Globo a serviço da imbecilização do Brasil







O artista plástico Antonio Veronese, em recente entrevista ao jornal Folha do Povo falou algumas verdades sobre a indigência cultural do país e cita a essencial participação das Organizações Globo para isso. Veja no Link abaixo: 



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Outras verdades sobre o caso Henrique Pizzolato




          "A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro."  Noam Chomsky.


Com o tempo, uma imprensa cínica, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”. Joseph Pulitzer, jornalista (há mais de um século).

"A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular."  Prof. Andrew Oitke, catedrático de Antropologia em Harvard.




            "Saber não basta, carece corromper, comprometer e ameaçar o que existe"  Paulo Leminski


Por Lais Amaral

       Tem muita coisa que sai do seu aparelho de TV que deveria ir direto para o lixo. Mas não vai. Vai para os arquivos de memória do cidadão e servirá de alimento para as suas deduções. Uma sensação de informação definitiva o invadirá. Esse é o problema do quase-monopólio das comunicações em nosso país. A linguagem e o pensamento únicos.  

       Meu Blog passou por problemas técnicos e fiquei fora do ar por algum tempo, mas estamos de volta com essa oportuna matéria do Miguel do Rosário, do Blog "O Cafezinho".  Só pra se conhecer o outro lado do noticiário contra um dos condenados da Ação Penal 470 (Mensalão), o ex-funcionário do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, que fugiu para a Itália. O texto vai enriquecer o arsenal de informações do leitor com um material mais diversificado.   



Enviado por Miguel do Rosário
do Blog O Cafezinho em 17/02/2014

A grande mídia continua fazendo um excelente trabalho de contra-informação quando o assunto é Henrique Pizzolato e mensalão. Os leitores têm de tomar muito cuidado. O mensalão sempre foi uma operação eminentemente midiática. E continua sendo. Os mesmos grupos que fizeram o que fizeram, não só durante o julgamento da Ação Penal 470, mas antes, durante a montagem da peça de acusação, continuam agindo. Eles vão usar todas as suas armas agora para desmoralizar Pizzolato porque entendem que isso será necessário para minimizar os contra-ataques que podem vir da Justiça italiana.
Diariamente os jornais trazem notícias pretensamente “bombásticas” sobre Pizzolato. O importante é desconstruir, ao máximo, a sua figura, e criar uma agenda negativa para se contrapor à campanha de solidariedade aos réus petistas que vem constrangendo profundamente a mídia.
Matéria do Globo hoje, por exemplo, desinforma muito mais do que qualquer outra coisa. O subtítulo é genial: “Extratos encontrados na Itália apontam operações em muitos países europeus”. Qual a intenção agora? Pintar Pizzolato como um grande criminoso internacional, chefe das máfias em vários lugares do mundo?
O que há de concreto sobre o fugitivo é o seguinte:
1 – Sua fuga foi completamente atabalhoada. Apesar de, supostamente, tê-la planejado desde 2008, quando renovou os documentos do irmão, Pizzolato fugiu pela Argentina usando o cartão de crédito da própria mulher. O fato de usar os documentos do irmão também não pressupõe nenhuma sofisticada mente criminosa. Não quero justificar, mas temos que manter as proporções. Tudo que Pizzolato fez se deu após a constatação de que a guilhotina de uma Justiça falsa iria desabar fatalmente sobre seu pescoço.
2 – Pizzolato foi preso na casa de seu sobrinho, e todo mundo sabia que ele tinha um sobrinho na Itália, o que mostra uma total falta de cuidado. Parecia que Pizzolato queria ser pego. Ao apresentar os documentos de seu irmão à polícia, Pizzolato também se mostrou uma pessoa completamente despreparada. É o anti-criminoso por excelência. É prova também que não havia “nenhum grupo forte” por trás de Pizzolato, conforme se aventou meses atrás. Até agora tem sido defendido por um advogado indicado pela polícia, ou seja, se não é um advogado público ou gratuito, é o mais barato possível. Aliás, espero que seja um bom advogado, ou então que Pizzolato tenha condições de contratar o melhor advogado criminal possível.
3 – Ele ficou no Brasil até o último dia possível, trabalhando 24 horas em sua defesa. Não se escondeu. Foi a diversos eventos do PT onde explicava o que acontecia. Fazia reuniões com jornalistas, militantes, curiosos, tentando mostrar a sua versão dos fatos. Não era, nem de longe, o comportamento de um criminoso. Sempre teve o comportamento de um cidadão angustiado para provar sua inocência.
4 – Até agora, a polícia italiana, encontrou extratos que falam de somente de 30 mil euros, quantia irrisória para um alto executivo do Banco do Brasil e sua esposa arquiteta. No entanto, é possível que Pizzolato tenha mais dinheiro guardado, dinheiro seu, próprio, acumulado em mais de 40 anos de trabalho, conforme explicarei mais abaixo.
5 – A matéria do Globo fala de contas em “vários países”. No subtítulo, troca-se “vários” por “muitos”. Uma mudança sutil, mas importante e maliciosa. A única informação concreta da polícia italiana é que Pizzolato e sua esposa tinham contas na Espanha. Pizzolato praticamente morou na Espanha entre 2006 e setembro 2012. Se quisesse fugir, aliás, teria fugido nesse período. Provavelmente abriu uma ou mais contas na Espanha nessa época. Quando fugiu, deve ter raspado todo o dinheiro que possuía. Daí as “várias operações”.
6 – A irmã de Pizzolato era (ainda é, pelo que eu sei) diarista em hospital e casas de famílias há muitos anos na Espanha. Pizzolato a ajudava financeiramente sempre que podia, e também a ajudou a resolver alguns problemas familiares que aconteceram por lá nos últimos anos.
7 – Até o momento, portanto, Pizzolato tinha contas na Espanha, onde sua irmã residia, e na Itália, onde mora desde que para lá fugiu. Os “muitos países” do subtítulo, até o momento, são apenas dois, com explicações concretas para tal.
8 – Reproduzo abaixo um comentário que publiquei, há alguns dias, como resposta a um internauta que me fez perguntas sobre a tal conta na Suíça de Pizzolato, sobre a qual não há, até o momento, nenhum rastro.
“Não sei, Luis. Pode ser mentira, pode ser uma verdade mal contada. Também desencanei dessa história. O fogo é saber que a mídia jamais vai querer explicar as coisas direito. Sempre haverá essa terrível má-intenção deliberada, que é uma coisa sinistra nessa história do mensalão. O interesse político está muito acima do interesse pela verdade.
Pizzolato é hoje o brasileiro com a vida mais devassada do mundo. Não conheço tanto assim o Pizzolato, mas pelo descobri, dele mesmo e de terceiros, ele vendeu tudo que tinha e deu pra mulher. Pizzolato não era pobre. Algumas vezes eu uso demais a mim mesmo como referência e acabo esquecendo que nem todo mundo é duro. Ele era de família tradicional do Paraná, de imigrantes trabalhadores e poupadores como ainda vemos no interior do sul do país. Começou a trabalhar muito cedo no Banco do Brasil e se tornou graduado por eleições internas. Foi o primeiro sindicalista eleito pelos próprios funcionários. Antes, só os funcionários indicados pelo alto galgavam postos na empresa. Um amigo dele me contou que Pizzolato era um dos raros funcionários do BB que nunca usou cheque especial. Ele e a esposa sempre foram muito disciplinados com dinheiro. A esposa era arquiteta e fazia projetos. Em 30 ou 40 anos de Banco do Brasil, ele morou em umas 10 cidades, em todas sempre adquiria a casa ou apartamento onde residiu. Sem contar que Pizzolato trabalhou por bastante tempo no Conselho da Previ (sempre indicado democraticamente pelos funcionários), e ganhava muito bem por essa função.
Uma jornalista do Correio Braziliense descobriu e publicou reportagem há alguns dias trazendo todos os dados fiscais de Pizzolato até 2005. No imposto de renda, ele tinha cerca de dez imóveis, todos adquiridos antes do governo Lula. Parece que tinha uma bela casa de praia em camboriu, Santa Catarina. Esse imóveis eram avaliados pela receita, em números não atualizados, em 2 milhões de reais. Com o preço desses imóveis atualizados, esse valor pode dobrar ou triplicar. Ou quadruplicar, sei lá.
Se ele mandou esse dinheiro para o exterior, não sei. Pizzolato já sabia que estava lascado. O caso dele, juridicamente, é o mais difícil de virar, porque ele foi condenado por todos, até mesmo pelo Lewandoswki, que embarcou na onda do Visanet.
Se tudo que eu penso que aconteceu, realmente aconteceu, se Pizzolato foi vítima de uma armação jurídica, então eu serei o último a culpá-lo por planejar sua fuga, que naturalmente envolve segurança financeira no lugar para onde você vai. Eu nunca recriminarei a busca pela liberdade. Se um indivíduo acredita realmente na sua inocência, ele tem todo o direito de fugir, se achar que é a única saída que possui para continuar lutando por sua dignidade.”
9 – A campanha de solidariedade aos petistas tem um limite. Ela representa uma postura de enfrentamento. Mas um enfrentamento (paradoxalmente) passivo, quase desesperado, estéril. A verdadeira luta contra as arbitrariedades da Ação Penal 470 se dá no debate sobre o mérito das acusações. E aí é que Pizzolato constitui uma figura central, porque a sua condenação se deu contra as provas. Pizzolato tinha provas de que ele não era responsável pelo Visanet, que o Visanet era 100% privado, e que não foi desviado. Mais ainda, Pizzolato foi o réu mais prejudicado pela ocultação de provas feita por Joaquim Barbosa. O laudo 2828 foi escondido. O inquérito 2474 foi escondido. Tudo isso prejudicou profundamente a defesa de Pizzolato e outros réus. Além disso, Pizzolato não era parlamentar, nunca foi, e foi julgado diretamente no STF, sem direito a um segundo grau de jurisdição, contrariando a Constituição e os tratados internacionais de direitos humanos assinados pelo Brasil. Outros réus foram vítimas da mesma arbitrariedade, já que apenas dois ou três, de um total de 39, tinham mandato parlamentar.
10 – Pizzolato foi vítima ainda da estratégia de “fatiamento”, essa jogada de gênio (do mal) de Barbosa, feita em cima da hora, pegando de surpresa até mesmo o relator do processo, Lewandowski. A estratégia forçou os réus, seus advogados e a militância a se aferrarem aos casos individuais, ao invés de discutir o todo, o mérito de todo o processo. Com isso, os réus se isolaram em suas próprias defesas. Os militantes e amigos de Dirceu se apegaram somente a seu caso, e assim por diante. Pizzolato, que nunca fez parte de nenhuma corrente do PT, ficou totalmente isolado, só com um ou dois amigos a seu redor. O caso Pizzolato só irá ganhar notoriedade junto a seu próprio campo após as reportagens de Raimundo Pereira na Retrato do Brasil. Mas aí já era tarde demais.
11 – Não sei que espécie de inteligência esteve por trás de tantas maquinações. Mas sei que houve maquinação. Conversando com um deputado federal que viveu intensamente aqueles primeiros anos do mensalão, ele me contou algumas coisas interessantes. Ele me contou, por exemplo, que o então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, foi convidado a ir a São Paulo por um grupo de empresários. Lá, fizeram-lhe uma proposta. Que ele renunciasse à presidência. Em seu lugar, entraria o deptuado Thomaz Nonô, do então PFL-AL, o qual aceitaria o pedido de impeachment do presidente Lula. Mesmo que o Congresso não aceitasse, o pedido serviria para desgastar politicamente o presidente. Cavalcanti não aceitou, em nome da afinidade que sentia com um homem de sua própria terra, vindo da mesmas origens populares como ele próprio. O que pode ter salvado o país, portanto, foi a velha honra pernambucana.
12 – O mesmo deputado (o que conversava comigo, não o Severino) fez a seguinte avaliação de conjuntura. “Não sei quem esteve por detrás disso, Miguel, mas eles tiveram sucesso em sua estratégia: que era evitar a construção de uma hegemonia de esquerda no parlmento, sobretudo do Partido dos Trabalhadores. Não fosse o mensalão, o PT elegeria mais deputados. Não haveria a cisão que criou o PSOL. E o governo ficaria menos dependente de acordos com a direita para garantir a governabilidade.”
13 – Eu complementei e o deputado concordou: “Naquela época, Dirceu vinha dando entrevistas fazendo uma defesa da união da América do Sul. Lembro-me de uma entrevista que Dirceu falou inclusive da criação de uma moeda única para todo o continente. Falou em instituir espanhol nas escolas públicas. Isso com certeza apavorou alguns poderosos lá do norte.”
14 – Eu continuei, ainda com anuência do parlamentar: “Apesar de ser considerado, dentro do PT, representante de uma vertente mais conservadora, Dirceu era o quadro mais temido pela direita, por causa de seu entendimento sobre a conjuntura global. Dirceu era o quadro intelectualmente mais bem preparado do Partido dos Trabalhadores, e seria um perigo que ele ganhasse a presidência, porque poderia iniciar ações concretas para realizar o seu objetivo de unir a América do Sul num só bloco político e econômico.”
15 – Tenho mais documentos e informações sobre o caso Pizzolato, que destróiem mais ainda a farsa. Mas antes de entrar nessa seara, eu precisava fazer uma marcação política, quase semiótica, sobre o caso. Volto ao assunto em breve.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Juiz Federal que era contra, agora defende cotas para negros na Educação


Juiz federal, mestre em Direito e ferrenho opositor das cotas explica as razões que o fizeram mudar de ideia
O escritor e Juiz Federal William Douglas (Foto: Divulgação/Pragmatismo Político)
Roberto Lyra, Promotor de Justiça, um dos autores do Código Penal de 1940, ao lado de Alcântara Machado e Nelson Hungria, recomendava aos colegas de Ministério Público que “antes de se pedir a prisão de alguém deveria se passar um dia na cadeia”. Gênio, visionário e à frente de seu tempo, Lyra informava que apenas a experiência viva permite compreender bem uma situação.
Quem procurar meus artigos, verá que no início era contra as cotas para negros, defendendo – com boas razões, eu creio – que seria mais razoável e menos complicado reservá-las apenas para os oriundos de escolas públicas. Escrevo hoje para dizer que não penso mais assim. As cotas para negros também devem existir. E digo mais: a urgência de sua consolidação e aperfeiçoamento é extraordinária.
Embora juiz federal, não me valerei de argumentos jurídicos. A Constituição da República é pródiga em planos de igualdade, de correção de injustiças, de construção de uma sociedade mais justa. Quem quiser, nela encontrará todos os fundamentos que precisa. A Constituição de 1988 pode ser usada como se queira, mas me parece evidente que a sua intenção é, de fato, tornar esse país melhor e mais decente. Desde sempre as leis reservaram privilégios para os abastados, não sendo de se exasperarem as classes dominantes se, umas poucas vezes ao menos, sesmarias, capitanias hereditárias, cartórios e financiamentos se dirigirem aos mais necessitados.
Não me valerei de argumentos técnicos nem jurídicos dado que ambos os lados os têm em boa monta, e o valor pessoal e a competência dos contendores desse assunto comprovam que há gente de bem, capaz, bem intencionada, honesta e com bons fundamentos dos dois lados da cerca: os que querem as cotas para negros, e os que a rejeitam, todos com bons argumentos.
Por isso, em texto simples, quero deixar clara minha posição como homem, cristão, cidadão, juiz, professor, “guru dos concursos” e qualquer outro adjetivo a que me proponha: as cotas para negros devem ser mantidas e aperfeiçoadas. E meu melhor argumento para isso é o aquele que me convenceu a trocar de lado: “passar um dia na cadeia”. Professor de técnicas de estudo, há nove anos venho fazendo palestras gratuitas sobre como passar no vestibular para a EDUCAFRO, pré-vestibular para negros e carentes.
Mesmo sendo, por ideologia, contra um pré-vestibular “para negros”, aceitei convite para aulas como voluntário naquela ONG por entender que isso seria uma contribuição que poderia ajudar, ou seja, aulas, doação de livros, incentivo. Sempre foi complicado chegar lá e dizer minha antiga opinião contra cotas para negros, mas fazia minha parte com as aulas e livros. E nessa convivência fui descobrindo que se ser pobre é um problema, ser pobre e negro é um problema maior ainda.
Meu pai foi lavrador até seus 19 anos, minha mãe operária de “chão de fábrica”, fui pobre quando menino, remediado quando adolescente. Nada foi fácil, e não cheguei a juiz federal, a 350.000 livros vendidos e a fazer palestras para mais de 750.000 pessoas por um caminho curto, nem fácil. Sei o que é não ter dinheiro, nem portas, nem espaço. Mas tive heróis que me abriram a picada nesse matagal onde passei. E conheço outros heróis, negros, que chegaram longe, como Benedito Gonçalves, Ministro do STJ, Angelina Siqueira, juíza federal. Conheço vários heróis, negros, do Supremo à portaria de meu prédio.
Apenas não acho que temos que exigir heroísmo de cada menino pobre e negro desse país. Minha filha, loura e de olhos claros, estuda há três anos num colégio onde não há um aluno negro sequer, onde há brinquedos, professores bem remunerados, aulas de tudo; sua similar negra, filha de minha empregada, e com a mesma idade, entrou na escola esse ano, escola sem professores, sem carteiras, com banheiro quebrado. Minha filha tem psicóloga para ajudar a lidar com a separação dos pais, foi à Disney, tem aulas de Ballet. A outra, nada, tem um quintal de barro, viagens mais curtas. A filha da empregada, que ajudo quanto posso, visitou minha casa e saiu com o sonho de ter seu próprio quarto, coisa que lhe passou na cabeça quando viu o quarto de minha filha, lindo, decorado, com armário inundado de roupas de princesa. Toda menina é uma princesa, mas há poucas das princesas negras com vestidos compatíveis, e armários, e escolas compatíveis, nesse país imenso. A princesa negra disse para sua mãe que iria orar para Deus pedindo um quarto só para ela, e eu me incomodei por lembrar que Deus ainda insiste em que usemos nossas mãos humanas para fazer Sua Justiça. Sei que Deus espera que eu, seu filho, ajude nesse assunto. E se não cresse em Deus como creio, saberia que com ou sem um ser divino nessa história, esse assunto não está bem resolvido. O assunto demanda de todos nós uma posição consistente, uma que não se prenda apenas à teorias e comece a resolver logo os fatos do cotidiano: faltam quartos e escolas boas para as princesas negras, e também para os príncipes dessa cor de pele.
Não que tenha nada contra o bem estar da minha menina: os avós e os pais dela deram (e dão) muito duro para ela ter isso. Apenas não acho justo nem honesto que lá na frente, daqui a uma década de desigualdade, ambas sejam exigidas da mesma forma. Eu direi para minha filha que a sua similar mais pobre deve ter alguma contrapartida para entrar na faculdade. Não seria igualdade nem honesto tratar as duas da mesma forma só ao completarem quinze anos, mas sim uma desmesurada e cruel maldade, para não escolher palavras mais adequadas.
Não se diga que possamos deixar isso para ser resolvido só no ensino fundamental e médio. É quase como não fazer nada e dizer que tudo se resolverá um dia, aos poucos. Já estamos com duzentos anos de espera por dias mais igualitários. Os pobres sempre foram tratados à margem. O caso é urgente: vamos enfrentar o problema no ensino fundamental, médio, cotas, universidade, distribuição de renda, tributação mais justa e assim por diante. Não podemos adiar nada, nem aguardar nem um pouco.
Foi vendo meninos e meninas negros, e negros e pobres, tentando uma chance, sofrendo, brilhando nos olhos uma esperança incômoda diante de tantas agruras, que fui mudando minha opinião. Não foram argumentos jurídicos, embora eu os conheça, foi passar não um, mas vários “dias na cadeia”. Na cadeia deles, os pobres, lugar de onde vieram meus pais, de um lugar que experimentei um pouco só quando mais moço. De onde eles vêm, as cotas fazem todo sentido.
Se alguém discorda das cotas, me perdoe, mas não devem faze-lo olhando os livros e teses, ou seus temores. Livros, teses, doutrinas e leis servem a qualquer coisa, até ao nazismo. Temores apenas toldam a visão serena. Para quem é contra, com respeito, recomendo um dia “na cadeia”. Um dia de palestra para quatro mil pobres, brancos e negros, onde se vê a esperança tomar forma e precisar de ajuda. Convido todos que são contra as cotas a passar conosco, brancos e negros, uma tarde num cursinho pré-vestibular para quem não tem pão, passagem, escola, psicólogo, cursinho de inglês, ballet, nem coisa parecida, inclusive professores de todas as matérias no ensino médio.
Se você é contra as cotas para negros, eu o respeito. Aliás, também fui contra por muito tempo. Mas peço uma reflexão nessa semana: na escola, no bairro, no restaurante, nos lugares que freqüenta, repare quantos negros existem ao seu lado, em condições de igualdade (não vale porteiro, motorista, servente ou coisa parecida). Se há poucos negros ao seu redor, me perdoe, mas você precisa “passar um dia na cadeia” antes de firmar uma posição coerente não com as teorias (elas servem pra tudo), mas com a realidade desse país. Com nossa realidade urgente. Nada me convenceu, amigos, senão a realidade, senão os meninos e meninas querendo estudar ao invés de qualquer outra coisa, querendo vencer, querendo uma chance.
Ah, sim, “os negros vão atrapalhar a universidade, baixar seu nível”, conheço esse argumento e ele sempre me preocupou, confesso. Mas os cotistas já mostraram que sua média de notas é maior, e menor a média de faltas do que as de quem nunca precisou das cotas. Curiosamente, negros ricos e não cotistas faltam mais às aulas do que negros pobres que precisaram das cotas. A explicação é simples: apesar de tudo a menos por tanto tempo, e talvez por isso, eles se agarram com tanta fé e garra ao pouco que lhe dão, que suas notas são melhores do que a média de quem não teve tanta dificuldade para pavimentar seu chão. Somos todos humanos, e todos frágeis e toscos: apenas precisamos dar chance para todos.
Precisamos confirmar as cotas para negros e para os oriundos da escola pública. Temos que podemos considerar não apenas os deficientes físicos (o que todo mundo aceita), mas também os econômicos, e dar a eles uma oportunidade de igualdade, uma contrapartida para caminharem com seus co-irmãos de raça (humana) e seus concidadãos, de um país que se quer solidário, igualitário, plural e democrático. Não podemos ter tanta paciência para resolver a discriminação racial que existe na prática: vamos dar saltos ao invés de rastejar em direção a políticas afirmativas de uma nova realidade.
Se você não concorda, respeito, mas só se você passar um dia conosco “na cadeia”. Vendo e sentindo o que você verá e sentirá naquele meio, ou você sairá concordando conosco, ou ao menos sem tanta convicção contra o que estamos querendo: igualdade de oportunidades, ou ao menos uma chance. Não para minha filha, ou a sua, elas não precisarão ser heroínas e nós já conseguimos para elas uma estrada. Queremos um caminho para passar quem não está tendo chance alguma, ao menos chance honesta. Daqui a alguns poucos anos, se vierem as cotas, a realidade será outra. Uma melhor. E queremos você conosco nessa história.
Não creio que esse mundo seja seguro para minha filha, que tem tudo, se ele não for ao menos um pouco mais justo para com os filhos dos outros, que talvez não tenham tido minha sorte. Talvez seus filhos tenham tudo, mas tudo não basta se os filhos dos outros não tiverem alguma coisa. Seja como for, por ideal, egoísmo (de proteger o mundo onde vão morar nossos filhos), ou por passar alguns dias por ano “na cadeia” com meninos pobres, negros, amarelos, pardos, brancos, é que aposto meus olhos azuis dizendo que precisamos das cotas, agora.
E, claro, financiar os meninos pobres, negros, pardos, amarelos e brancos, para que estudem e pelo conhecimento mudem sua história, e a do nosso país comum pois, afinal de contas, moraremos todos naquilo que estamos construindo.
Então, como diria Roberto Lyra, em uma de suas falas, “O sol nascerá para todos. Todos dirão – nós – e não – eu. E amarão ao próximo por amor próprio. Cada um repetirá: possuo o que dei. Curvemo-nos ante a aurora da verdade dita pela beleza, da justiça expressa pelo amor.”
Justiça expressa pelo amor e pela experiência, não pelas teses. As cotas são justas, honestas, solidárias, necessárias. E, mais que tudo, urgentes. Ou fique a favor, ou pelo menos visite a cadeia.
*William Douglas, juiz federal (RJ), mestre em Direito (UGF), especialista em Políticas Públicas e Governo (EPPG/UFRJ), professor e escritor, caucasiano e de olhos azuis

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O nascimento do mundo “des-americanizado”


          
                                                                      Do blog da Folha




            "A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro."  Noam Chomsky.


Com o tempo, uma imprensa cínica, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”. Joseph Pulitzer, jornalista (há mais de um século).

"A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular."  Prof. Andrew Oitke, catedrático de Antropologia em Harvard.



Por Lais Amaral

O artigo abaixo foi publicado pelo jornalista Pepe Escobar, no portal Ásia Times Online, dia 17 de outubro passado e replicado pelo jornal Brasil de Fato. Escobar vive na Ásia e conhece bem o que acontece naquelas bandas e, o que acontece por lá nos chega sempre de forma filtrada pelas grandes agencias noticiosas, comprometidas por interesses ocidentais.  Conheci Escobar num encontro internacional de blogueiros e na ocasião fomos informados, quase dois anos antes, que a “bola da vez” no tabuleiro de interesses imperiais norte-americanos era a Síria. Ficamos sabendo que seria complicado porque Rússia e China não gostariam nada disso. Agora Escobar cutuca o pessoal com esse artigo antevendo a ascensão chinesa, que coincidirá, como numa gangorra, com o declínio americano.

Sem que se veja nem sinal de avanço social, econômico e político – o “trancamento” (shutdown) nos EUA seria outra perfeita ilustração, se se precisasse de ilustração - de que os EUA deslizam tão inexoravelmente quanto a China, pena a pena, vai abrindo as asas para comandar a pós-modernidade do século 21.
A intuição de Antonio Gramsci precisa ser atualizada: a velha ordem morreu, e a nova ordem está um passo mais perto de nascer

Pepe Escobar,
Asia Times Online (reproduzido pelo Brasil de Fato)

É isso. A China decidiu que “basta!” Tirou as luvas (diplomáticas). É hora de construir um mundo “des-americanizado”. É hora de “uma nova moeda internacional de reserva” substituir o dólar estadunidense.
Está tudo lá, escrito, em editorial da rede Xinhua, saído diretamente da boca do dragão. E ainda estamos em 2013. Apertem os cintos – especialmente as elites em Washington. Haverá fortes turbulências.
Longe vão os dias de Deng Xiaoping de “manter-se discreto”. O editorial de Xinhuamostra, em formato sintético, a gota d’água que fez transbordar o copo do dragão: o recente ‘trancamento’ (shutdown) nos EUA. Depois da crise financeira provocada por Wall Street, depois da guerra do Iraque, um mundo “desentendido”, não só a China, quer mudança.
Esse parágrafo não poderia ser mais explícito:
“Sobretudo, em vez de honrar seus deveres como potência liderante responsável, uma Washington interessada só em si mesma abusa de seu status de superpotência e gera caos ainda mais profundo no planeta, disseminando riscos financeiros para todo o mundo, instigando tensões regionais e disputas territoriais, e guerreando guerras ilegítimas, sob o manto de deslavadas mentiras.”
A solução, para Pequim, é “des-americanizar” a atual equação geopolítica – a começar por dar voz mais ativa no FMI e no Banco Mundial a economias emergentes e ao mundo em desenvolvimento, o que deve levar à “criação de uma nova moeda internacional de reserva, a ser criada para substituir o dólar estadunidense hoje dominante”.
Observe-se que Pequim não advoga a sumária extinção do sistema de Bretton Woods – não, pelo menos, já; quer, isso sim, mais poder para decidir. Parece razoável, se se considera que a China tem peso apenas ligeiramente superior ao da Itália, no FMI. A “reforma” do FMI – ou coisa parecida – está em andamento desde 2010, mas Washington, como seria de esperar, vetou todas as alterações substanciais, até agora.
Quanto ao movimento para afastar-se do dólar estadunidense, também já está em andamento, com graus variados de velocidade, especialmente no que diga respeito ao comércio entre os países BRICS, as potências emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que já está sendo feito, hoje, predominantemente, nas respectivas moedas. O dólar estadunidense está lentamente, mas firmemente, sendo substituído por uma cesta de moedas.
A “des-Americanização” também já está em curso. Considere-se, por exemplo, a ofensiva de charme dos chineses pelo Sudeste Asiático, que está acentuadamente começando a inclinar-se na direção de mais ação com principal parceiro econômico daqueles países, a China. O presidente Xi Jinping da China, fechou vários negócios com a Indonésia, a Malásia e também com a Austrália, apenas umas poucas semanas depois de ter fechado outros vários negócios com os ‘-stões’ da Ásia Central.
A empolgação chinesa com promover a Rota da Seda de Ferro alcançou nível de febre, com as ações das empresas chinesas de estradas de ferro subindo à estratosfera, ante o projeto de uma ferrovia de trens de alta velocidade até e através da Tailândia já virando realidade. No Vietnã, o premiê chinês Li Keqiang selou um entendimento segundo o qual querelas territoriais entre dois países no Mar do Sul da China não interferirão com mais e novos negócios. Pode-se chamar de “pivotear-se” para a Ásia.

Todos a bordo do petroyuan
Todos sabem que Pequim possui himalaias de bônus do Tesouro dos EUA – cortesia daqueles massivos superávits acumulados ao longo dos últimos 30 anos, mais uma política oficial de manter lenta, mas segura, a apreciação do yuan.
E Pequim, simultaneamente, age. O yuan está também lenta, mas em segurança, se tornando mais conversível nos mercados internacionais. (Semana passada, o Banco Central Europeu e o Banco do Povo da China firmaram acordo para uma troca de moeda (orig. swap) de US$45-$57 bilhões, que aumentará a força internacional do yuan e melhorará seu acesso ao comércio financeiro na área do euro.)
A data não oficial para a total conversibilidade do yuan cairá em algum ponde entre 2017 e 2020. A meta é clara: afastar-se de qualquer respingo da dívida dos EUA, o que implica que, no longo prazo, Pequim está-se afastando desse mercado – e, assim, tornando muito mais caro, para os EUA, tomarem empréstimos. A liderança coletiva em Pequim já fechou posição sobre isso e está agindo nessa direção.
O movimento na direção da plena conversibilidade do yuan é tão inexorável quanto o movimento dos BRICS na direção de uma cesta de moedas que, progressivamente, substituirá o dólar estadunidense como moeda de reserva. Até lá, mais adiante nessa estrada, materializa-se o evento cataclísmico real: o advento do petroyuan – destinado a ultrapassar o petrodólar, tão logo as petromonarquias do Golfo vejam de que lado ventam os ventos históricos. Então, o bate-bola geopolítico será outro, completamente diferente.
Pode ser processo longo, mas é certo que o famoso conjunto de instruções de Deng Xiaoping está sendo progressivamente descartado: “Observe com calma; proteja sua posição; lide com calma, com as questões; esconda nossas capacidades e aposte no nosso tempo; seja discreto; e jamais reclame a liderança.”
Uma mistura de cautela e escamoteamento, baseada na confiança que os chineses têm na história, e levando em consideração uma grave ambição de longo prazo – era Sun Tzu clássico. Até aqui, Pequim andou devagar; deixando que o adversário cometa erros fatais (e que coleção de erros de multi-trilhões de dólares...); e acumulando “capital”.
Agora, chegou a hora de capitalizar. Em 2009, depois da crise financeira provocada por Wall Street, ainda havia chineses que resmungavam contra “o mau funcionamento do modelo ocidental” e, em suma, contra o “mau funcionamento da cultura ocidental”.
Beijing ouviu [Bob] Dylan (legendado em mandarim?) e concluiu que, sim, the times they-are-a-changing [os tempos estão mudando].[2] Sem que se veja nem sinal de avanço social, econômico e político – o ‘trancamento’ [shutdown] nos EUA seria outra perfeita ilustração, se se precisasse de ilustração – de que os EUA deslizam tão inexoravelmente quanto a China, pena a pena, vai abrindo as asas para comandar a pós-modernidade do século 21.

Que ninguém se engane: as elites de Washington lutarão contra, como se estivessem ante a pior das pragas. Mesmo assim, a intuição de Antonio Gramsci precisa ser atualizada: a velha ordem morreu, e a nova ordem está um passo mais perto de nascer.