domingo, 4 de dezembro de 2011

Tio Sam continua o mesmo incendiário de sempre




tonigumauskas.wordpress



“Com o tempo, uma imprensa cínica, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”.   Joseph Pulitzer, jornalista (há mais de um século).



Por Laís Amaral

O jornalista Pepe Escobar, no encontro mundial de blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu, em outubro passado, alertou para os riscos da política expansionista dos Estados Unidos e aliados (Pentágono/Otan) junto ao Oriente Médio.
Escobar, que é colaborador da Al-Jazeera, disse na ocasião que a bola da vez era a Síria (eles já tinham atacado a Líbia e assassinado Muamar Kadafi).
Só que no caminho de mais uma “intervenção humanitária” tem o BRICS, mais claramente China e Rússia. É bom acompanhar o assunto com um pouco mais de profundidade, diferente do noticiário de press release da Velha Mídia Comercial.
Abaixo o artigo de Pepe Escobar e a seguir o artigo do jornalista Denis Telmánov sobre a movimentação da marinha soviética no sentido do porto de Tartus, na Síria.  


                       “É Pentágono /OTAN versus BRICS”
 Pepe Escobar, Al-Jazeera, Qatar - 30/11/2011

Poucos prestaram atenção, quando, semana passada, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Victoria Nuland anunciou, em linguagem cifrada, que Washington “deixará de atender a alguns dos dispositivos do Tratado das Forças Militares Convencionais na Europa [ing. Conventional Armed Forces in Europe (CFE) Treaty], no que tenha a ver com Rússia”.  [1]
Tradução: Washington deixará de informar a Rússia sobre deslocamentos de sua armada global. A estratégia de “reposicionamento” planetário do Pentágono virou segredo.
         É preciso atualizar algumas informações de fundo. Esse tratado, CFE, foi assinado nos anos 1990 – quando o Pacto de Varsóvia ainda era vigente, e cabia à OTAN defender o ocidente “livre” contra o que então estava sendo pintado como um muito ameaçador Exército Vermelho.  
         Na Parte I, esse Tratado CFE estabelecia significativa redução no número de tanques, artilharia pesadíssima, jatos e helicópteros de guerra, e dizia também, aos dois lados, que todos teriam de nunca parar de falar do Tratado CFE.
A Parte II do Tratado CFE foi assinada em 1999, no mundo pós-URSS. A Rússia transferiu grande parte de seu arsenal para trás dos Montes Urais, e a OTAN nunca parou de avançar diretamente contra as fronteiras russas – movimento que aberta e descaradamente descumpria a promessa que George Bush-Pai fizera, pessoalmente, a Mikhail Gorbachev.
         Em 2007, entra Vladimir Putin, que decide suspender a participação da Rússia no Tratado CFE, até que EUA e OTAN ratifiquem a Parte II do CFE. Washington nada fez, nada de nada; e passou quatro anos pensando sobre o que fazer. Agora, decidiu que nem falar falará (“Washington deixará de atender”, etc. etc.).

Não se metam na Síria
         Moscou sempre soube, há anos, o que o Pentágono quer: Polônia, República Checa, Hungria, Lituânia. Mas o sonho da OTAN é completamente diferente: já delineado num encontro em Lisboa há um ano, o sonho da OTAN é converter o Mediterrâneo em “um lago da OTAN”.[2]
         Em Bruxelas, diplomatas da União Européia confirmam, off the record, que a OTAN discutirá, numa reunião chave no início de dezembro, o que fazer para fixar uma cabeça-de-praia muito próxima da fronteira sul da Rússia, para dali turbinar a desestabilização da Síria.
         Para a Rússia, qualquer intervenção ocidental na Síria é caso resolvido de não-e-não-e-não absoluto. A única base naval russa em todo o Mediterrâneo Ocidental está instalada no porto (sírio) de Tartus.
         Não por acaso, a Rússia instalou seu sistema de mísseis de defesa aérea S-300 – dos melhores do mundo, comparável ao Patriot, dos EUA – em Tartus. E é iminente a atualização para sistema ainda mais sofisticado, o S-400.
         Mais importante: pelo menos 20% do complexo industrial militar russo enfrentariam crise profunda, no caso de perder seus assíduos clientes sírios.
         Em resumo, seria suicídio, para a OTAN – para nem falar em Israel – tentar atacar a Síria por mar. A inteligência russa trabalha hoje sobre a hipótese de o ataque vir via Arábia Saudita.
E vários outros países também sabem, com riqueza de detalhes, dessa estratégia de “Líbia remix”, da OTAN.
        Vejam o caso, por exemplo, da reunião da semana passada, em Moscou, dos vice-ministros de Relações Exteriores dos países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) [3].
         Os BRICS não poderiam ter sido mais claros: esqueçam qualquer tipo de intervenção externa na Síria; disseram, exatamente que “não se deverá considerar qualquer interferência externa nos negócios da Síria, que não esteja perfeitamente conforme o que determina a Carta das Nações Unidas”.[4]
Os BRICS também condenam as sanções extras contra o Irã (são “contraproducentes”) e qualquer possibilidade de algum ataque. A única solução – para os dois casos, Síria e Irã – é negociações e diálogo. Esqueçam a conversa de um voto da Liga Árabe levar a nova resolução, do Conselho de Segurança da ONU, de “responsabilidade de proteger” (responsibility to protect -R2P). Esqueçam.
        O que temos aí é um terremoto geopolítico. A diplomacia russa coordenou, com outros países BRICS, um murro tectônico na mesa: não admitiremos qualquer tipo de nova intervenção dos EUA – seja “humanitária” ou a que for – no Oriente Médio. Agora, é Pentágono/OTAN versus os BRICS.
        Brasil, Índia e China estão acompanhando tão de perto quanto a Rússia, o que a França – sob o comando do neonapolêonico Libertador da Líbia, Nicolas Sarkozy – e a Turquia, os dois países membros da OTAN, estão empenhados e fazer hoje, sem qualquer limite ou contenção, contrabandeando armas e apostando em uma guerra civil na Síria, ao mesmo tempo em que tudo fazem para impedir qualquer tipo de diálogo entre o governo de Assad e a oposição síria, essa, em frangalhos.

Alerta máximo nos gargalos
         Tampouco é segredo dos BRICS que a estratégia de “reposicionamento” do Pentágono implica mal disfarçada tentativa de impor, no longo prazo, uma “negativa de acesso” à marinha chinesa expedicionária [ing. blue-water navy, capaz de operar em alto mar], em acelerada expansão.  
         Agora, o “reposicionamento” na África e na Ásia tem a ver, diretamente, com os gargalos. Não surpreende que três dos gargalos mais cruciais do mapa do mundo é questão de alta segurança nacional para a China, em termos do fluxo do suprimento de petróleo.
O Estreito de Ormuz é gargalo global crucial (por ali passam 16 milhões de barris de petróleo por dia, 17% de todo o petróleo negociado no planeta, mais de 75% do petróleo exportado para a Ásia).
        O Estreito de Malacca é elo crucial entre o Oceano Índico e o Mar do Sul da China e o Oceano Pacífico, a rota mais curta entre o Golfo Persa e a Ásia, com fluxo de cerca de 14 milhões de barris de petróleo/dia.
        E o Bab el-Mandab, entre o Chifre da África e o Oriente Médio, passagem estratégica entre o Mediterrâneo e o Oceano Índico, com fluxo de cerca de 4 milhões de barris/dia.
        Thomas Donilon, conselheiro de segurança nacional do governo Obama tem repetido, insistentemente, que os EUA têm de “reequilibrar” a ênfase estratégica – do Oriente Médio, para a Ásia.
        Assim se explica boa parte do movimento de Obama, de mandar Marines para Darwin, no norte da Austrália, movimento já analisado em outro artigo para Al Jazeera  [5]. Darwin é cidade bem próxima de outro gargalo – Jolo/Sulu, sudoeste das Filipinas.
        O primeiro secretário-geral da OTAN, Lord “Pug” Ismay, cunhou o famoso mantra segundo o qual a aliança Atlântica deveria “manter os russos fora, os americanos dentro e os alemães abaixo.” Hoje, o mantra da OTAN parece ser “manter os chineses fora e os russos abaixo”.
       Mas o que os movimentos do Pentágono/OTAN – todos inscritos na doutrina da Dominação de Pleno Espectro [ing.Full Spectrum Dominance]– estão realmente fazendo é manter Rússia e China cada vez mais próximas – não apenas dentro dos BRICS mas, sobretudo, dentro da Organização de Cooperação de Xangai expandida , que rapidamente se vai convertendo, não só em bloco econômico mas, também, em bloco militar.  
        A doutrina da Dominação de Pleno Espectro implica centenas de bases militares e agora também de sistemas de mísseis de defesa (ainda não testados). O que também implica, crucialmente, a ameaça mãe de todas as ameaças: capacidade para lançar o primeiro ataque.
        Pequim, pelo menos por hora, não tomou a expansão do Comando dos EUA na África, Africom, como ataque aos seus interesses comerciais, nem tomou o posicionamento de Marines na Austrália como ato de guerra.
        Mas a Rússia – tanto no caso da expansão dos mísseis de defesa posicionados contra Europa e Turquia, como na atitude de “sem conversas” sobre o Tratado CFE, e posicionada já contra os planos da OTAN para a Síria – está-se tornando bem mais incisiva.
        Esqueçam a conversa de Rússia e China, “competidores estratégicos” dos EUA, serem tímidos na defesa da própria soberania, ou dados a pôr em risco a própria segurança nacional. Alguém aí tem de avisar aqueles generais no Pentágono: Rússia e China não são, não, de modo algum, Iraque e Líbia.

Notas dos tradutores
[1]23/11/2011,RIA NOVOSTI – “United Stateshalts coopertion with Rússia on CFE arms treaty”
[2]25/11/2010, Pepe Escobar, “EUA: como criança em loja de doces da OTAN”.
[3]Sobre a mesma reunião e o mes).mo Comunicado Conjunto, ver 25/11/2011, MK Bhadrakumar, “BRICS bloqueiam os EUA no Oriente Médio”.
[4]“Comunicado Conjunto à Imprensa” (em inglês).
[5]22/11/2011, Pepe Escobar, “Obama projects Pacific power” (em inglês


Porta-aviões “Almirante Kuznetsov” zarpa para a Síria
Denis Telmánov, Izvéstia

Espera-se que o Admiral Kuznetsov e seus navios de escolta cheguem ao porto de Tartus na primavera de 2012. Os militares russos negam qualquer ligação entre a viagem do porta-aviões à Síria e a presente situação político-militar naquele país, enquanto os peritos a encaram como fator de dissuasão de um eventual conflito armado na Síria.
         “A presença de qualquer força militar nessa região, menos aquela da OTAN, seria muito útil e permitiria evitar um conflito armado”, disse ao jornal “Izvéstia”, o ex-Chefe do Estado Maior da Marinha russa, almirante Víktor Krávchenko, recordando a esse respeito que a URSS mantinha no Mediterrâneo uma esquadra especial, a 5ª Esquadra do Mediterrâneo, cuja missão era conter as ambições militares dos países ocidentais. Para a  manutenção e abastecimento dessa flotilha, a URSS instalou no porto sírio de Tartus uma base naval, utilizada atualmente para o atendimento aos navios da esquadra do Mar Negro.
Ali os navios se submetem a pequenos reparos e se abastecem de combustível, água doce e frutas. A base conta com cerca de 600 funcionários militares e civis russos e não abriga atualmente nenhum navio: a oficina flutuante da esquadra do Mar Negro, PM-138, saiu do porto de Tartus no início deste ano e nenhum outro navio chegou para substituí-la.
         Enquanto isso, nas águas próximas da Síria, surgiu uma força tarefa dos EUA composta pelo porta-aviões nuclear George Bush, dois cruzadores porta-mísseis e dois destróieres de mísseis.
         “Claro que as potencialidades dos navios russos são incomparáveis ao potencial da 6ª Esquadra Operacional dos EUA do Mediterrâneo, que integra um ou dois porta-aviões e vários navios de escolta.
Mas hoje ninguém fala sobre um eventual confronto entre os navios russos e americanos, pois um ataque a qualquer navio russo será tomado como declaração de guerra com todas as conseqüências daí decorrentes”, disse o almirante.
         Os militares russos insistem que a viagem da esquadra russa foi programada ainda em 2010, quando a situação na Síria era calma, e não encontram razões para cancelá-la ou adiá-la, disse uma fonte do Estado Maior da Marinha russa ao “Izvéstia”.
         O Admiral Kuznetsov e seus navios de escolta deverão visitar também o porto libanês de Beirute, Gênova, na Itália, e Chipre. A expedição começará no início de dezembro no mar de Barents e integra, além do Admiral Kuznetsov, o navio de luta antisubmarina oceânico Admiral  Chabanenko.
 Os dois navios irão contornar o continente europeu pelo oeste e entrarão pelo Estreito de Gibraltar no Mar Mediterrâneo, onde ficarão aguardando pelo navio de patrulha Ládni, que virá ao seu encontro do Mar Negro, devendo visitar primeiro o porto de La Valeta, em Malta.
         O Admiral Kuznetsov aloja a bordo oito caças navais Su-33 e vários novos caças MiG-29K, construídos para a Índia e levados para testes para uma viagem marítima de longo curso, assim como dois helicópteros de luta antisubmarina Ka-27. Todas as aeronaves irão realizar voos de treino em alto-mar, longe da costa síria.
          O Admiral Kuznetsov leva 12 lançadores de mísseis anti-navios Granit, um sistema de defesa antiaéreo Kinjal, oito lançadores de mísseis antiaéreos Kórtik, seis canhões com seis canos de 30 mm AK-630m, dois  lançadores de foguetes RBU-12 000 Udav e outras armas.
          O Admiral Kuznetsov não vai entrar no porto de Tartus devido a seu grande calado e permanecerá no ancoradouro, cabendo as funções de abastecimento da flotilha aos navios Admiral Chabanenko e Ládni.
          O cruzador porta-aviões Admiral Kuznetsov é a quinta embarcação do projeto 1143,5 e a única do gênero em serviço da Marinha russa, tendo em seu currículo quatro viagens de longo curso no Mediterrâneo e no nordeste do Atlântico. Sofreu três grandes reparações com uma duração total de seis anos. Após a presente viagem, será novamente submetido às obras de reparação.
         Seus congêneres, os cruzadores Variag e Admiral Gorchkov, foram vendidos à China e à Índia, respectivamente. O cruzador indiano está em obras de reconstrução na fábrica de construção naval Sevmach, na Rússia, e será armado com os aviões MiG-29K (versão naval do MiG-29), que serão testados durante a viagem do Admiral Kuznetsov à Síria.
          O Admiral Kuznetsov esteve em Tartus duas vezes, em 1995 e 2007, durante suas viagens ao Mediterrâneo e ao Atlântico.

 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Beth Carvalho diz que a CIA quer acabar com o Samba



Beth Carvalho 


“Com o tempo, uma imprensa cínica, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”.   Joseph Pulitzer, jornalista (há mais de um século).



Por Laís Amaral
Em entrevista ao jornalista Valmir Moratelli, do Portal iG, (25/11), por ocasião do lançamento do CD de músicas inéditas "Nosso samba tá na rua" - dedicado à dona Ivone Lara, Beth Carvalho foi incisiva ao defender o Socialismo como única saída para a Humanidade. A presidente de honra do PDT defendeu ainda Hugo Chaves, Cuba e Brizola. Disse que o Samba perdeu espaço para o Funk, e que o CIA tem a ver com isso. Abaixo a entrevista reproduzida do Portal iG.


iG: Em seu novo CD, a letra "Chega" é visivelmente feminista. Por que é raro o samba dar voz a mulheres?

Beth Carvalho: O mundo, não só o samba, é machista. Melhorou bastante devido à luta das mulheres, mas a cada cinco minutos uma mulher apanha no Brasil. É um absurdo. Parece que está tudo bem, mas não é bem assim. Sempre fui ligada a movimentos libertários.

iG: De que forma o samba é machista?

Beth Carvalho: A maioria dos sambistas é homem. Depois de mim, Clara Nunes e Alcione, as coisas melhoraram. O samba é machista, mas o papel da mulher é forte. O samba é matriarcal, na medida em que dona Vicentina, dona Neuma, dona Zica comandam os bastidores da história. Eu, por exemplo, sou madrinha de muitos homens (risos).

iG: A senhora é vizinha da favela da Rocinha. Como vê o processo de pacificação?

Beth Carvalho: Faltou, por muitos anos, a força do estado nestas comunidades. Agora estão fazendo isso de maneira brutal e, de certa forma, necessária. Mas se não tiver o lado social junto, dando a posse de terreno para quem mora lá há tanto tempo, as pessoas vão continuar inseguras. E os morros virarão uma especulação imobiliária.

iG: Alguns culpam o governo Leonel Brizola (1983-1987/1991-1994) pelo fortalecimento do tráfico nos morros. A senhora, que era amiga do ex-governador, concorda?

Beth Carvalho: Isso é muito injusto. É absurdo (diz em tom áspero). Se tivessem respeitado os Cieps, a atual geração não seria de viciados em crack, mas de pessoas bem informadas. Brizola discutia por que não metem o pé na porta nos condomínios da Avenida Viera Souto (em Ipanema) como metem nos barracos. Ele não podia fazer milagre.

iG: Defende a permanência de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho?

Beth Carvalho: Olha, sou presidente de honra do PDT porque é um título carinhoso que Brizola me deu, mas não sou filiada ao PDT. Não tenho uma opinião formada sobre isso, porque não sei detalhes. Existe uma grande rigidez a partidos de esquerda. Fizeram isso com o PCdoB do Orlando Silva, e agora fazem com o PDT. O que conheço do Lupi é uma pessoa muito correta. Eles deveriam ser menos perseguidos pela mídia.

iG: Aqui na sua casa há várias imagens de Che Guevara e de Fidel Castro. Acredita no modelo socialista?

Beth Carvalho: Eu só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade. Não tem outro (fala de forma enfática). Cuba diz 'me deixem em paz'. Os Estados Unidos, com o bloqueio econômico, fazem sacanagem com um país pobre que só tem cana de açúcar e tabaco.

iG: Mas e a falta de liberdade de expressão em Cuba?

Beth Carvalho: Eu não me sinto com liberdade de expressão no Brasil.

iG: Por quê?

Beth Carvalho: Porque existe uma ditadura civil no Brasil. Você não pode falar mal de muita coisa.

iG: Como quais?

Beth Carvalho: Não falo. Tem uma mídia aí que acaba com você. Existe uma censura. Não tem quase nenhum programa de TV ao vivo que nos permita ir lá falar o que pensamos. São todos gravados. Você não sabe que vai sair o que você falou, tudo tem edição. A censura está no ar.

iG: Mas em países como Cuba a censura é institucionalizada, não?

Beth Carvalho: Não existe isso que você está falando, para começo de conversa. Cuba não precisa ter mais que um partido. É um partido contra todo o imperialismo dos Estados Unidos. Aqui a gente está acostumada a ter vários partidos e acha que isso é democracia.

iG: Este não seria um pensamento ultrapassado?

Beth Carvalho: Meu Deus do céu! Estados Unidos têm ódio mortal da derrota para oito homens, incluindo Fidel e Che, que expulsaram os americanos usando apenas o idealismo cubano. Os americanos dormem e acordam pensando o dia inteiro em como acabar com Cuba. É muito difícil ter outro Fidel, outro Brizola, outro Lula. A cada cem anos você tem um Pixinguinha, um Cartola, um Vinicius de Moraes... A mesma coisa na liderança política. Não é questão de ditadura, é dificuldade de encontrar outro melhor para ocupar o cargo. É difícil encontrar outro Hugo Chávez.

iG: Chávez é acusado por muitos de ter acabado com a democracia na Venezuela.

Beth Carvalho: Acabou com o quê? Com o quê? (indaga com voz alta).

iG: Com a democracia...

Beth Carvalho: Chávez é um grande líder, é uma maravilha aquele homem. Ele acabou com a exploração dos Estados Unidos. Onde tem petróleo estão os Estados Unidos. Chávez acabou com o analfabetismo na Venezuela, que é o foco dos Estados Unidos porque surgiu um líder eleito pelo povo. Houve uma tentativa de golpe dos americanos apoiada por uma rede de TV.

iG: A emissora que fazia oposição ao governo e que foi tirada do ar por Chávez...

Beth Carvalho: Não tirou do ar (fala em tom áspero). Não deu mais a concessão. É diferente. Aqui no Brasil o governo pode fazer a mesma coisa, televisão aberta é concessão pública. Por que vou dar concessão a quem deu um golpe sujo em mim? Tem todo direito de não dar.

iG: A senhora defende que o governo brasileiro deveria cassar TV que faz oposição?

Beth Carvalho: Acho que se estiver devendo, deve cassar sim. Tem que ser o bonzinho eternamente? Isso não é liberdade de expressão, é falta de respeito com o presidente da República. Quem cassava direitos era a ditadura militar, é de direito não dar concessão. Isso eu apoio.

iG: Por ser oriundo dos morros, o samba foi conivente com o poder paralelo dos traficantes?

Beth Carvalho: Não, o samba teve prejuízo enorme. Hoje dificilmente se consegue senhoras para a ala das baianas nas escolas de samba. Elas estão nas igrejas evangélicas, proibidas de sambar. Não se vê mais garoto com tamborim na mão, vê com fuzil. O samba perdeu espaço para o funk.

iG: Quem é o culpado?

Beth Carvalho: Isso tem tudo a ver com a CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), que quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura. Estas armas dos morros vêm de onde? Vem tudo de fora. Os Estados Unidos colocam armas aqui dentro para acabar com a cultura dos morros, nos fazendo achar que é paranóia da esquerda. Mas não é, não.

iG: O samba vai resistir a esta "guerra" que a senhora diz existir?

Beth Carvalho: Samba é resistência. Meu disco é uma resistência, não deixa de ser uma passeata: "Nosso samba tá na rua".

domingo, 27 de novembro de 2011

A Velha Mídia Comercial tem seu lado. E não é o nosso lado.




“Com o tempo, uma imprensa cínica, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”.   Joseph Pulitzer, jornalista (há mais de um século).



Por Laís Amaral
O termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) utilizado pelas Redes sociais na Blogosfera para designar a Velha Imprensa Comercial não é exagero.

Essa Velha Imprensa, que praticamente monopoliza a comunicação no país, estando nas mãos de uma meia dúzia de famílias, tem suas preferências políticas e partidárias. Nada demais. Eu também tenho as minhas.

Mas para aqueles inocentes e desavisados que acreditam na neutralidade da Imprensa como virtude inabalável de pretensos ou supostos paladinos da liberdade e da democracia, segue abaixo um vídeo do You Tube, que mostra parte da armação no debate final entre Lula e Collor na eleição presidencial de 1989.

Lula estava chegando perto nas pesquisas com forte possibilidade de virar o jogo e ganhar. Aí veio a armação do debate final na Globo, que contou com uma edição bem safada comandado pelo Ali Kamel de então, um pulha chamado Alberico Souza Cruz.

E, independente da edição safada daquele debate que foi ao ar no Jornal Nacional, no vídeo abaixo José Bonifácio Sobrinho, um dos bam-bam-bans da emissora na ocasião, conta como ajudaram a construir uma imagem mais popular de Collor para o debate.

Eles têm lado. É até compreensível. Mas não deviam mais pousar de vestais. Isso é brincar com a inteligência do telespectador. Isso é pura sacanagem. Essa gente só pensa em povo como telespectadores para garantir audiência e com isso, grandes patrocinadores. Confiram:  


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Luiz Inácio operário nacional


Lula mostrando o caminho para Fernando Haddad




“Com o tempo, uma imprensa cínica, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”.   Joseph Pulitzer, jornalista (há mais de um século).



Por Laís Amaral

         Enquanto a Velha Mídia comercial faz sua campanha política (na falta de oposição competente) fingindo que apóia a Presidente Dilma e na verdade tenta desconstruir os governos Lula, um dos mais marcantes momentos da vida política institucional do país, este blog presta sua homenagem na certeza que ele jamais sairá do pedestal erguido no coração da maioria dos brasileiros.   
São dois momentos de arte, o samba enredo da Escola de Samba Gaviões da Fiel para 2012 (cuja letra está aí pra todo mundo aprender, e, um clip sobre a trajetória de Lula, com música de Bob Dylan. Força Lula !!!

Verás que o filho fiel não foge à luta –
Lula o retrato de uma nação
Autores: Grandão, Batata, Netinho, Max, Magrão, Luciano, Mariano Araújo e Dentinho
Vai meu gavião…
Cantando a saga do menino sonhador
Um filho do sertão, cabra da peste… Irmão
Que deus pai iluminou!
Trouxe no sangue a coragem, a fé
O poder regendo seu destino!
Na cidade grande a esperança… O futuro promissor!
Traçou seu o caminho
Cresceu foi à luta… Pra vencer
E o sonho se torna real
Luiz Inácio o operário nacional!
Companheiro fiel… Por liberdade
Na corrente do bem… Contra a maldade!
Elo forte da democracia
A luz da nossa estrela guia!
Viu… No coração do Brasil
Tanta desigualdade
O retrato da realidade
A utopia buscando a dignidade!
Solta o grito da garganta e vem comemorar
A soberania popular
Felicidade…
O povo unido venceu
A cidadania resplandeceu
Uma nova era aconteceu!
Sou da nação, sou valente e festeiro
Corinthiano loucamente apaixonado!
Em oração a São Jorge guerreiro
Peço que o brasileiro seja sempre abençoado!”
Click no link abaixo e ouça o samba da Gaviões para 2012.





E no link a seguir, diretamente do Portal do Luis Nassif, o Clip que mostra a trajetória do grande estadista.  






segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Barra Mansa puxa a discussão sobre democratização da Comunicação no Sul Fluminense

Deputado Paulo Ramos (PDT) autor do projeto

“Com o tempo, uma imprensa cínica, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”.   Joseph Pulitzer, jornalista (há mais de um século).



Por Laís Amaral

          Barra Mansa saiu na frente na região Sul Fluminense na busca da democratização da comunicação. Sábado passado, dia 19, uma Audiência Pública engrossou a discussão pela criação do Conselho Municipal de Comunicação. A matéria abaixo foi publicada pelo diário A Voz da Cidade, edição desta segunda-feira, dia 21.   


          Audiência Pública discute criação do

          Conselho Municipal da Comunicação

 

          Dando prosseguimento à discussão sobre a importância e a criação do Conselho Municipal de Comunicação, a Abraço-Sul Fluminense do Rio de Janeiro e seus representantes promoveram na tarde do último sábado uma Audiência Pública no Palácio Barão de Guapi, no Centro da cidade.

          Durante a reunião, os participantes conheceram ainda o texto final do projeto de lei do Conselho Estadual de Comunicação, de autoria do deputado estadual Paulo Ramos.

          De acordo com o diretor da Abraço-Nacional, José Roberto Souza, o Maninho, a idéia é preparar para a implantação do Conselho que será de grande importância para os meios de comunicação seja ele grande, médio ou pequeno. Na região Sul Fluminense, Barra Mansa está na frente para a implantação do Conselho.

         “Já é o segundo encontro realizado para discutir o tema. Nossa idéia é mostrar a todos o quanto esse Conselho é importante para a comunicação no geral”, explica Maninho, ressaltando que a iniciativa está em destaque em todo o território nacional.

         Vale ressaltar que,em Barra Mansa, a discussão está adiantada, já que o projeto de lei para a criação do Conselho já existe e está no Legislativo  para apreciação dos vereador.

          “Temos três etapas para a criação do Conselho, a discussão, o encaminhando do projeto à Câmara de Vereadores e por fim a implantação. 
            
          É um longo caminho que vale a pena percorrer. Precisamos valorizar todos os meios de comunicação de uma mesma forma”, declara o representante da Abraçoem Barra Mansa, Odailton Silva Teixeira.

          A deputada estadual Inês Pandeló é outra que falou da importância do Conselho. Segundo ela, é uma discussão a nível nacional e trata-se de um direito de todo ser humano.

          “Os grandes meios de comunicação no Brasil têm todos os direitos e os outros não”, comenta a deputada, lembrando que, na região, Barra Mansa é pioneira nessa discussão.

          Além da deputada Pandeló e dos membros da Abraço Sul Fluminense do Rio, estiveram presentes na audiência de sábado, a representante do Fala-Rio e Movimento Abraço-Rio, Cláudia Abreu, o jornalista Álvaro Brito, entre outros membros de rádios comunitárias da cidade.


            ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO DE COMUNICAÇÃO

          Entre outros, são atribuições do Conselho Municipal de Comunicação atuar em defesa do interesse público relacionado a atuação de veículos de massa na execução em âmbito municipal, abrangendo as atividades de imprensa escrita, radiofônica e televisiva, além da transmissão de imagens, sons e dados de qualquer natureza e estimular a organização da população e suas entidades na implementação de medidas em defesa do interesse público na área de comunicação.
          O Conselho atuará principalmente na defesa das disposições Constitucionais referentes à Comunicação, garantirá a todo e qualquer cidadão, a liberdade de manifestação do pensamento, vedado o anonimato, como garantir o exercício do direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;a liberdade de expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação independente de censura ou licença. 


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Reitor da USP não é mesmo flor que se cheire

“Com o tempo, uma imprensa cínica, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”.   Joseph Pulitzer, jornalista (há mais de um século).



Por Laís Amaral

                 A Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República lançou em agosto de 2007 o livro-relatório Direito à verdade e à memória: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, de Paulo Vannuchi e Marco Antônio Rodrigues Barbosa.

          Na época eles eram respectivamente: ministro da Secretaria de Direitos Humanos e presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). Da comissão também fez parte o atual reitor da USP, João Grabdino Rodas, nomeado por Fernando Henrieuqe Cardoso.

            Rodas votou contra os interesses das famílias das vítimas da Ditadura Militar. Confiram no link abaixo a matéria completa do Blog Vi o Mundo, do Luiz Carlos Azenha. 


  http://www.viomundo.com.br/denuncias/rodas-deu-uma-maozinha-aos-carrascos-de-zuzu-angel.html

Ahmadinejad não é demônio e o Irã não é um país atrasado






“Com o tempo, uma imprensa cínica, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”.   Joseph Pulitzer, jornalista (há mais de um século).


Por Laís Amaral
      


       Tempos atrás o jornalista Antônio Luis Monteiro Coelho da Costa, da revista Carta Capital, publicou dados interessantes sobre o Irã. Uma nação moderna e progressista, embora ainda precise de algumas mudanças.

       Mas bem diferente da imagem de país miserável governado por um tirano arquimilionário e que ainda quer fabricar a bomba atômica para infernizar o coitadinho de Israel, como quer nos fazer crer a Velha Midia comercial. Leia alguns dados do jornalista da Carta Capital. O link da matéria na integra está no final do texto. 

      • No Irã não se usa a burca típica do Afeganistão; quase não se vê também o nigab (veu que cobre o rosto), ainda hoje obrigatório na Arábia Saudita, nos Emirados do Golfo, no Iêmen, Paquistão entre outros;

 
      • A participação das mulheres na sociedade iraniana é das maiores no mundo. Na economia, chega a 40% (maior que no Chile, Egito, Turquia entre outros); mais de 50% dos estudantes do ensino superior sã mulheres (igual à Holanda e maior que México, Chile, Turquia e a maioria dos países muçulmanos);

      • Mesmo sendo questionado o modelo de eleições iranianas, onde o clero islâmico tem grande poder e influência, não há nada igual, nem de longe, nos países árabes, monárquicos – a imensa maioria – onde o povo quase nunca é chamado a votar;

      • O Ocidente reverbera denúncias de fraude sem comprovação alguma, mas pouco destaque deu à monumental fraude no Afeganistão, onde o queridinho da mídia, Hamid Garzai – segundo a revista Vogue, um dos homens que melhor se veste no mundo – foi “reeleito” na base do “bico de pena”, no tapetão;

      • O Irã é um país moderno, industrializado, com renda per capita maior que a nossa, que a da África do Sul, da Tailândia, entre outros;

      • Em fevereiro do ano passado colocou em órbita, com recursos e tecnologia própria, um satélite de comunicação, o primeiro no mundo muçulmano;
      • Suas montadoras de veículos fabricam mais carros que a Itália (um milhão de carros);

      • 35% dos iranianos tem acesso à Internet, menos que o Brasil e este ano as projeções são de que atinjam 48%;
      • A região metropolitana da Grande Teerã tem 13 milhões de habitantes, com moderna rede de metrô e de transporte público, muito superior a qualquer capital brasileira;

      • Ao contrário do que diz a “revista” (folheto de propaganda) Veja, da família Civita, o Irã e seus mulás (clérigos da hierarquia islâmica), não querem a “volta à idade média”; ao contrário; querem a modernização, ainda que sob seu controle;
      • Ainda que 98% sejam islâmicos no país, nem todos são persas (apenas 51%, como Ahmadinejad; uma segunda etnia forte e grande é a azeri, do líder espiritual Ali Khamenei, que sucedeu Khomeini, que era persa;

      • Ao contrário de Israel, do Paquistão e mesmo do Iraque, na época de Saddam Hussein, o Irã nunca atacou seus vizinhos em nenhum momento ou reivindicou qualquer de seus territórios;
      • É verdade que metade dos 80 mil judeus que moravam no Irã há 30 anos, quando da eclosão da Revolução Islâmica, emigrou para outros países; mas, os que lá permaneceram, até lutaram para derrubar a monarquia fascista do Xá Reza Pahlevi em 1979 e defenderam o país dos ataques iraquianos entre 1980 a 1988; e hoje vivem um clima de ampla liberdade, sem nenhuma restrição ao seu culto, à sua educação judaica, às suas viagens e até seu principal líder, Haroun Yashayaei até criticou Ahmadinejad – sem ser punido! – por este questionar o holocausto.

       Enfim, poderíamos nos estender a outros aspectos positivos da vida política, cultural e social da República Islâmica do Irã. Mas não será necessário. O ponto central é em torno de quem orbita esse pequeno gigante, imenso produtor de petróleo hoje no mundo.
     
       O Irã não faz o jogo dos estados Unidos. Muito ao contrário. Dá-lhe frontal combate. Ahmadinejad articula suas alianças hoje com a Venezuela de Chávez, a Bolívia de Evo e, claro, com o nosso Brasil sob o comando do presidente Lula. Se não fosse isso, não seria tão demonizado como vem sendo feito por essa imprensa golpista.

       Que tenta mentir ao mundo que lá é uma ditadura, as eleições foram fraudadas e que o Irã quer a bomba. Tudo mentira.

       Já nos primeiros anos do meu curso de Ciências Sociais – e já se vão 30 longos anos – na disciplina de Antropologia aprendi um conceito que a nós, sociólogos, nos é muito caro.

       O de “relativismo cultural”. Significa que devemos ver as outras nações, as outras culturas, as outras civilizações, diferentes das nossas, com um relativismo, procurando encarar seus hábitos e costumes com naturalidade, sem arrogância e sem a prepotência de achar que nossa cultura Ocidental é melhor e deve ser seguido por todos os povos da humanidade.

       O povo do Irã escolheu esse caminho de forma soberana, autônoma, com liberdade. Fizeram uma Revolução em 1979, ainda que com rumos que eu até possa não estar de pleno acordo. Mas devo aceitá-los.

       O que entristece a turma dos golpistas da mídia e a sua elite, é que esse país soberano saiu da órbita dos Estados Unidos. Nunca nos esqueçamos – e o povo iraniano guarda isso bem guardado em sua memória histórica – dos episódios da nacionalização do petróleo levado à cabo pelo então primeiro Ministro Mossadegh em 1953.

       Não resistiu um ano e foi derrubado com a ajuda da CIA, que garantiu o controle do petróleo para os EUA e para a Inglaterra a partir daí e até 1979, quando ele volta para o controle do povo.

       Ai está, em poucas palavras, porque o Irã é tão demonizado por essa mídia golpista. Só por isso, já devemos ver com bons olhos esse grande país, de civilização milenar, organizada a partir do Grande Ciro, da Pérsia séculos antes da atual era cristã. Vida longa ao Irã!

       Veja reportagem completa no Portal Vermelho sob o título “Porque demonizam Ahmadinejad?”

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Chega de halloween. Nós somos todos sacys




“Com o tempo, uma imprensa cínica, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”.   Joseph Pulitzer, jornalista (há mais de um século).



Por Laís Amaral

Cidades como São Luis do Paratinga, Silveiras e Botucatu (SP) comemoraram no dia 31 de outubro o Dia do Saci.

Muito legal perceber a força do caipira que instintivamente defende nossas coisas, nossa cultura, fazendo frente, mesmo que involuntariamente, à colonização americana que conta com respaldo da Velha Mídia Comercial e dos um sem números de colaboracionistas.

Entre estes, os cursos de inglês que estimulam a prática com a justificativa de passar a cultura americana a nossos jovens estudantes alegando facilitar a assimilação do idioma.

O Brasil vem assumindo um papel de liderança nos últimos anos, não apenas em nosso continente, mas entre os países emergentes em todo o mundo. Temos que ter nossa cultura fortalecida e quanto menos alienígenas melhor (o que não tem nada a ver com a antropofagia do Oswald de Andrade).

No link abaixo o documentário ‘Somos todos Sacys’ produzido pela Confraria Produções em parceria com Sesi/Senac. Legal ver, discutir e disseminar.


O filme é uma contribuição para o fortalecimento do mito que está no imaginário de nossa gente e é cultura genuinamente nossa. Curtam e divulguem.     
   







A Carta de Foz de Iguaçu - I Encontro Mundial de Blogueiros

“Com o tempo, uma imprensa cínica, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”.   Joseph Pulitzer, jornalista (há mais de um século).



Por Laís Amaral


O 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil), nos dias 27, 28 e 29 de outubro, confirmou a força crescente das chamadas novas mídias, com seus sítios, blogs e redes sociais.

Com a presença de 468 ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, de 23 países e 17 estados brasileiros, o evento serviu como uma rica troca de experiências e evidenciou que as novas mídias podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia.

Como principais consensos do encontro – que buscou pontos de unidade, mas preservando e valorizando a diversidade –, os participantes reafirmaram como prioridades:

- A luta pela liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade propalada pelos monopólios midiáticos, que castram a pluralidade informativa. O direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica;

- A luta contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor. Neste sentido, os participantes condenam o processo de judicialização da censura e se solidarizam com os atingidos. Na atualidade, o WikiLeaks é um caso exemplar da perseguição imposta pelo governo dos EUA e pelas corporações financeiras e empresariais;

- A luta por novos marcos regulatórios da comunicação, que incentivem os meios públicos e comunitários; impulsionem a diversidade e os veículos alternativos; coíbam os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas; e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural. Com estes mesmos objetivos, os Estados nacionais devem ter o papel indutor com suas políticas públicas.

- A luta pelo acesso universal à banda larga de qualidade. A internet é estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. O Estado deve garantir a universalização deste direito. A internet não pode ficar ao sabor dos monopólios privados.

- A luta contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Pela neutralidade na rede e pelo incentivo aos telecentros e outras mecanismos de inclusão digital. Pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação e incentivo ao software livre. Contra qualquer restrição no acesso à internet, como os impostos hoje pelos EUA  no seu processo de bloqueio à Cuba.

Com o objetivo de aprofundar estas reflexões, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer as novas mídias sociais, os participantes também aprovaram a realização do II Encontro Mundial de Blogueiros, em novembro de 2012, na cidade de Foz do Iguaçu.

Para isso, foi constituída uma comissão internacional para enraizar ainda mais este movimento, preservando sua diversidade, e para organizar o próximo encontro.